terça-feira, julho 12, 2005

O registro da prática docente: elemento fundamental na formação continuada do Professor

Nesta primeira semana de julho tive a oportunidade de estar substituindo uma professora do Projeto em que participo numa sala de 3ª e 4ª que chamamos de TST (Tijolo sobre Tijolo). É impressionante como a sala de aula é dinâmica, urgente e desafiadora. Um bom planejamento requer muito trabalho e esforço na sua execução, pesquisa, criatividade e reflexão sobre o acontecido. Sou defensora do registro da prática docente como princípio da formação continuada porque acredito que é neste movimento de rever o executado que nos potencializamos para as ações futuras. Sem contar na riqueza de material que teremos arquivados!
Nesta perspectiva aqui está disponível o relatório das atividades desenvolvidas em sala de aula esta semana. Aproveitem e comentem, é sempre bom partilhar nossas experiências!!!!
Observação: Se deseja saber um pouco mais sobre o projeto citado veja neste blog a composição: O Projeto Escola Zé Peão e um pouco de sua história.
Projeto Escola Zé Peão
Canteiro: Mashia
Sala: TST
Mês: Julho/2005
Período: 04 a 07
Média de Freqüência: 10 alunos
Registro para Acompanhamento Pedagógico
01. O que eu planejei?
Temática: Comunidade.
Elementos Temáticos: *Conceito de comunidade; *Conceito de bairro/cidade/município; *Características gerais da cidade de origem (comunidade).
Objetivos da Temática: *Refletir sobre a importância de uma freqüência regular para o processo de ensino e aprendizagem; *Apresentar os dados referentes à freqüência em outras salas do Projeto fazendo uma auto-avaliação do nosso desempenho; *Resgatar o conhecimento do aluno acerca do conceito de comunidade sistematizando um conceito coletivo; *Discutir sobre o conceito de bairro/cidade/município; *Identificar as características gerais das cidades de origem.
Linguagem *Diversidade textual (tabela, carta, dissertação e desenho); *Leitura oral e silenciosa;
*Produção textual.
Objetivos: *Trabalhar um mesmo tema utilizando modalidades textuais diferentes; *Trabalhar auto-estima e criatividade; *Produção de texto dissertativo.
Matemática * Interpretação de dados (tabelas); * Cálculo mental; *Situações problemas com cálculos envolvendo a adição e a subtração. Objetivos: *Identificar a tabela como um tipo de texto que nos passa informações através dos números; *Refletir sobre a importância de uma freqüência regular para o processo de ensino e aprendizagem a partir da tabela apresentada; *Proporcionar situações problemas envolvendo cálculo mental da adição e subtração;
02. O que aconteceu a partir do planejado?
*Segunda-feira, 04 de Julho de 2005. Cheguei ao canteiro e esperei a chegada dos alunos na sala. Começamos a aula dando boas vindas e esclarecendo o motivo pelo qual a professora Diana ainda não tinha retornado. Conversamos sobre as festas juninas e como cada um tinha comemorado no seu interior. Eles avaliaram que este ano a colheita do milho tinha sido pequena e que o preço estava um pouco salgado. Quanto à festa do sindicato rememoramos a programação e eles lembraram de todos os pontos avaliando que a festa foi bem organizada e que tudo tinha sido perfeito. Depois de instiga-los acabaram comentando que se o projeto tivesse aluna mulher seria melhor, assim poderia organizar uma quadrilha com um tocador para animar. Um dos alunos sugeriu que só tinha faltado mesmo à cerveja. Expliquei o por quê de não estarmos mais servindo cerveja nas festas da escola apresentando também a questão financeira. Na seqüência levei uma tabela com dados colhidos nas freqüências de abril/maio e junho de todas as salas do projeto com os seguintes dados: matrícula inicial, matrícula final, alunos com freqüência normal, alunos com freqüência esporádica, alunos com freqüência muito esporádica. Primeiro, conversamos sobre a tabela como um tipo de texto que nos trás informações através dos números e na seqüência prosseguimos com o estudo detalhado da tabela. Meu objetivo era refletir com os alunos os dados apresentados na tabela, reforçando a importância de uma freqüência regular para o processo de ensino e aprendizado. Quanto à tabela utilizada, fiz no meu computador imprimindo cópia para todos e minha impressora está com muita pouca tinta por isso os traços que dividem colunas e linhas não saíram (como pode ser observado na folha em anexo). Este fato atrapalhou em muito o desenvolvimento dessa atividade pois tivemos que fazer estas divisões com a régua para facilitar a leitura e como eles não tem prática, sentiram muitas dificuldades. Demoramos muito tempo neste encaminhamento. Algo que também dificultou o andamento dos trabalhos foi o fato de não ter organizado em papel madeira um modelo grande para assim facilitar os encaminhamentos dados. Todavia com a atividade foi possível observar que os alunos não conseguiam identificar quantas colunas tinha a tabela e nem quantas linhas, trabalhamos isso bem devagar exemplificando com uma outra tabela que estava fixada na parede da sala utilizada em outra aula. Conversamos sobre as palavras contidas na tabela que não eram conhecidas. Realizamos as atividades propostas e na oportunidade refletimos sobre a importância da freqüência assídua para o nosso aprendizado. Concluímos também que os alunos da Mashia estavam de parabéns pois sua média de freqüência estava muito boa e que esta tabela nos trouxe muitas informações importantes. Avalio que por tudo que já foi exposto acima esta atividade se prorrogou por muito tempo chegando a ser enfadonha para uma noite de segunda-feira. Neste dia estiveram presentes 09 alunos.
*Terça-feira, 05 de julho de 2005.

Começamos nossas atividades com a entrega da carteirinha de estudante fato que provocou uma verdadeira alegria para todos. Resgatamos a atividade realizada no dia anterior que consistia em uma tabela. Senti que eles estavam mais seguros quanto à tabela e encontravam as informações pedidas com mais facilidade. Conversamos sobre a importância de perseverar frente às dificuldades e da importância de acreditar em nosso potencial. Na seqüência coloquei no quadro a sentença Comunidade é ... e pedi que eles registrassem no caderno o significado daquela palavra. Cada um socializou a sua resposta e fui registrando no quadro as idéias mais significativas. Respostas dos alunos: - Comunidade é um grupo, é uma igreja, escola; - É onde mora minha família; - Comunidade é estudo, festa, dança, é um grupo de pessoas no trabalho, é um grupo de teatro; - Comunidade é um sítio, é minha família, meu trabalho; - A minha família, meu pai e minha mãe; - Comunidade é um grupo de estudante, é um sítio com arredor de casa, é um grupo de estudante numa sala de aula; - Comunidade é um grupo de pessoas que convivem dia-a-dia; - Nós na escola somos uma comunidade; - Comunidade é um grupo de gente quando se junta e se fala; - É um grupo de jovens, um povoado, é a nossa escola. Conversamos sobre o significado da palavra valorizando o que tinha sido apresentado por cada um. Concluímos que comunidade seria um grupo de pessoas que lutam pelos mesmos objetivos, que possuem coisas em comum. Neste momento poderia ter levado o dicionário e lido o conceito para os alunos enriquecendo a discussão. Eles registraram no caderno as idéias principais escritas no quadro acerca do conceito construído. Tinha planejado para este momento trabalhar dados quantitativos sobre os municípios de origem organizados em uma tabela: população, área, distância da capital, ano de fundação. Não consegui encontrar os dados para organizar a tabela e neste dia ainda não estava claro pra mim, qual seria a melhor forma de trabalhar os conceitos de bairro/cidade/município. Desta forma apresentei então a proposta de uma outra atividade para o grupo. No segundo momento fizemos a leitura de um texto da página 228 do livro Viver e Aprender que consistia em uma carta escrita por uma mãe que morava em uma chácara para um filho que estaria morando em uma cidade grande. O texto apresenta características do ambiente urbano e do ambiente rural. Concluímos que o grupo de pessoas desses dois ambientes formam comunidades diferentes e que juntos formam uma comunidade maior que é o município. Os alunos fizeram uma leitura silenciosa marcando as palavras que não conheciam ou que sentiam dificuldade de ler. Em seguida cada um leu em voz alta uma parte do texto onde discutimos o significado das palavras grifadas. Dos que estavam presentes os que apresentaram mais dificuldade na leitura foi: Francisco Sobral da Costa e Elivaldo Laurentino. Conversamos a respeito do lugar em que moram se lá eles percebem diferenças entre o ambiente rural e o urbano. Após a leitura tentei instiga-los a descobrir que tipo de texto era aquele, depois de algumas pistas eles responderam que era uma carta. Fomos identificando na carta características desse tipo de texto. Revisamos o tipo de texto estudado na segunda-feira (tabela). Pedi que eles escrevessem no caderno as palavras circuladas e assim concluímos nosso segundo dia de aula.

* Quarta-feira, 06 de Julho de 2005.

Na quarta-feira comecei a aula com a memória da aula anterior, o que foi discutido e os conceitos formados. Levei em papel madeira alguns registros feitos pelos alunos quando registraram o que entendiam sobre comunidade. Coloquei no quadro do mesmo jeito que escreveram no caderno sem identificar de quem eram. Analisamos e reescrevemos cada frase. Observamos elementos que poderiam ser retirados e outros que continuaram e foram aperfeiçoados. Todos os elementos do cartaz foram discutidos e as frases foram reescritas no quadro. Desta forma fizemos uma correção coletiva e uma análise minuciosa das frases.

Comunidade é ...

-A mia Familha meu pae e Amialha mae -um grupo de Estudante e sitio com aredo de casas -um grupo di pessoas que com vivem junto diadia -nos na escola é uma comunidade -A comunidade e grupo de gente guando si a guta se fala -um grupo di garvel - um povoado

Coloquei no quadro as palavras bairro/cidade/município e pedi que os alunos me dissessem as diferenças que eles percebiam nesses três tipos de comunidade. No geral afirmaram que cidade e município são a mesma coisa e que a cidade é formada por bairros. Tentei discutir essas afirmações diferenciando município e cidade. Acredito que teria sido melhor levar um mapa da Paraíba e assim exemplificar que cidade é a sede do município e que município seria a zona rural e a zona urbana juntas. Tentei fazer isso com desenhos no quadro mas acho que não ficou muito claro. Falei que depois traria um mapa para conversarmos melhor sobre este ponto. Neste momento fiz uma proposta ao grupo de produzirmos um texto sobre a nossa cidade de origem (nossa comunidade) apresentando aspectos gerais e que depois estudaríamos estes aspectos mais detalhadamente. A produção de texto aconteceu a partir de idéias que iam sendo colocadas no quadro e os alunos teriam que desenvolver no caderno:

1.Minha cidade se chama... 2.Ela tem esses nome porque... 3.Ela faz divisa com ... 4.Na minha cidade tem ..... 5.As pessoas vivem de... 6.As pessoas se divertem .... 7.Gosto da minha cidade porque...... 8.Se eu pudesse mudaria na minha cidade....

As ideais eram colocadas no quadro e os alunos estimulados a escreverem complementando os tópicos apresentados de acordo com seu município. Este foi um momento muito rico e os alunos se envolveram bastante na atividade. Mexe pra cá e pra lá...Ficavam tirando dúvidas sobre as palavras que estavam escrevendo (“professora como se escreve o gre de igreja”, “professora praça é com ç ou ss”) eu procurava pronunciar a palavra bem devagar para que eles percebessem o som e assim a letra que estava a mais ou a menos. Evitando dar uma reposta pronta. Não conseguimos concluir esta atividade na quarta completamos até a idéia número quatro. Recolhi para darmos continuidade no dia seguinte.

* Quinta – feira, 07 de julho de 2005.

Começamos a aula rememorando a atividade da aula anterior. Entreguei as produções e continuamos a produção escrita complementando as quatro idéias que faltavam. Sei que foi pouco o tempo que estivemos juntos mas pelas atividades desenvolvidas esta semana foi possível perceber alguns aspectos: 1.Paulo Alberto Francisco – Tem uma boa leitura, uma boa escrita e participa dos momentos de oralidade. 2.André Luis Sobral – Tem uma boa leitura, precisa melhorar na escrita e tem participação razoável nos momentos de oralidade. 3.José Antônio Severino da Silva – Precisa melhorar na leitura / escrita. É tímido e precisa ser instigado a participar dos momentos de oralidade. 4.José Gomes Sobrinho – Tem uma boa leitura, boa escrita e precisa ser estimulado a participar dos momentos de oralidade. 5.José Pereira Vicente – Escreve muito bem e tem uma boa leitura. Precisa procurar um oculista suas dificuldades na leitura são devido ao problema de vista (não é sócio do sindicato). Sua participação nos momentos de oralidade precisa ser dosada para que os outros também tenham chances de falar. 6.Francisco Sobral da Costa – Precisa melhorar muito na leitura e na escrita. Participa bem dos momentos de oralidade. 7.Adeildo de Oliveira - Escreve muito bem e tem uma boa leitura. Precisa ser estimulado a participar nos momentos de oralidade. 8.Antônio Herculano Soares – Precisa melhorar na leitura e na escrita. Participa dos momentos de oralidade. Só freqüentou um dia de aula. 9.Isaias da Silva Santos - Precisa melhorar na leitura e na escrita. Participa dos momentos de oralidade. Só freqüentou um dia de aula. 10.Elivaldo Laurentino - Precisa melhorar muito na leitura e na escrita. Precisa ser estimulado a participar nos momentos de oralidade. 11.Antonio Francisco do Nascimento - Participa bem dos momentos de oralidade. Precisa melhorar na leitura e na escrita. Ao terminarmos a produção escrita eles fizeram a leitura para toda classe. Na seqüência pedi que escolhessem algum elemento do texto que representasse a sua cidade e desenhassem na folha. Eles resistiram bastante. Argumentei dizendo que também iria desenhar e que este trabalho também seria uma produção que também nos passaria uma mensagem. No final tive que pedir que parassem pois estavam muito concentrados nas suas produções. Cada um foi apresentar seu desenho lá na frente. Somente José Gomes não conseguiu vencer a timidez e não foi à frente.

03. O que penso sobre o que aconteceu?

É sempre bom voltar a sala de aula principalmente quando temos uma turma tão receptiva. Apesar do cansaço foi muito importante essa semana foi muito especial. Avalio que foi muito complicado assumir a turma de Diana esta semana pois nunca li suas fichas de acompanhamento e não estava claro pra mim o que já teria sido trabalhado com a turma. Tive muitas dificuldades para planejar minhas aulas pois estava passando o dia em Bayeux no curso e já ia direto para o canteiro. Quando chegava em casa não tinha mais pique de pesquisar no computador ou preparar algo mais elaborado. Um bom planejamento requer muito tempo do professor para pesquisa e produção de material. Senti dificuldade de pensar de imediato em uma forma de trabalhar os conceitos de bairro/cidade/município. Avalio que comparar os três conceitos seja a melhor pois eles logo compreendem o conceito de bairro como sendo as partes de uma cidade. Quanto ao conceito de cidade e município eles acreditam que é a mesma coisa. O bom é levar o mapa e a partir do município deles ir desmistificando essa idéia. Acredito que será importante levar o mapa e voltar essa discussão com eles pois no dia eu não levei. Quanto à produção textual foi muito interessante, eles realmente se empolgaram pois estavam escrevendo sobre algo que faz parte da sua realidade cotidiana. Nossos momentos de oralidade foram ricos e participativos. É preciso, com jeito, ir podando seu José Vicente se deixar ele fala por todos. Avalio que a matemática ainda é uma dificuldade muito corrente, senti dificuldade e confesso que até preferi trabalhar a linguagem, é como se eu tivesse mais clareza do caminho com a linguagem. Não sabia até onde ela tinha trabalhado. Enfim, avalio ser importante pensarmos em momentos de vivência para que estas dificuldades sejam vencidas. Avalio que a formação no formato antigo era mais rica para o professor. Na sexta tínhamos oficina pedagógica e o planejamento era apresentado em outro momento. O que pensei para a semana seguinte?

Trabalhar com o mapa da Paraíba a diferença entre cidade e município levando algum texto que ajude na compreensão. Vou tentar digitar os textos produzidos e organizar um livrinho para os alunos valorizando a sua produção. Organizar a tabela com dados sobre os municípios de origem procurando trabalhar a multiplicação. Patrícia Santos

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